Texto Informativo CARACTERÍSTICAS ORQUESTRAL SÉCULO XVII

   O presente trabalho, tem como objetivo destacar as principais características estilísticas do repertório orquestral no século XVII. Para entendermos a evolução dos acontecimentos é importante lembrar os períodos que antecederam a este, tais como; Idade Média, Renascença e a Contrarreforma Palestrina. A música antiga, como chamada na época, era predominantemente vocal. Foi enriquecendo com o aumento das vozes, dando origem a “polifonia”, considerada o fio condutor para o desenvolvimento do enriquecimento harmônico das obras na época. Na renascença, a música sai da igreja para encher a vida da sociedade aristocrática. Nos países que aderem a reforma, aparece o alaúde nos madrigais. Surge Lutero, com os corais, acompanhado pelo órgão, que adentrou a igreja luterana, no qual, não houve objeções por parte das autoridades eclesiásticas, com a utilização de outros instrumentos.

Giovanni Perluigi da Palestrina (1525-1594), em sua composição Stabat Mater 1591, demonstra uma sucessão de admiráveis acordes vocais, de sabor místico de colunas sonoras e, a transição da música polifônica horizontal para a música vertical harmônica. O Maneirismo, é o estilo que pretende superar-se a si mesmo. Um dos recursos típicos em música é a policoralidade, que constitui as possibilidades sonoras alcançadas através da alternação dos coros. Podemos considerar algo glorioso, estupendo, mas ainda não é o barroco. O Barroco, é um gênero musical que não tem nada a ver com a religiosidade mística, é a “Opera”. Nesta casta, ao invés vez das complicações polifônicas, espera-nos o canto do solista, a homofonia, a ária. O gênio que na música abre o século, é o operista homofônico, Monteverde ( 1567-1643). Homófono (monódico), ou seja, uma única voz. Como estavam acostumados a ouvir a polifonia, a capela e, os acordes vocais, a voz individual soava como insuficiente, como se faltasse algo, necessitando de um complemento. Portanto, surge o acompanhamento de um instrumento, de preferência de teclas, um dos precursores do piano, porque, nestes instrumentos, se pode tocar acordes, substituindo uma multidão polifônica inteira. Entretanto, não houve intenção nenhuma de desviar a atenção do cantor para o instrumentalista, limitou-se apenas a fornecer a “harmonia”, complementando continuamente os sons dos acordes cantados, tocando acordes mais embaixo, denominado baixo contínuo


O novo gênero instituí a soberania do cantor. É ele, o indivíduo que está no centro, ao invés do coro. O baixo contínuo, não foi completamente escrito pelos compositores. Os acordes foram notados em espécie de linguagem cifrada, em números que indicam os intervalos e, que podem ser interpretados de maneira diversificada. O canto monódico e o baixo contínuo. Eis os elementos da música barroca. O século XVII, não chegou a resolver os dois problemas que a reforma monteverdiana lhe legara. A música da época, da polifonia vocal, possuía rigoroso esquema tonal, herdado da Idade Média. A homofonia e o baixo contínuo, não chegaram a substituí-lo, sequer foi possível colocar em ordem esse novo mundo caótico das dissonâncias e do cromatismo. O sistema tonal não será resolvido antes do início do século XVIII. Quanto às formas, já se começam esboçar algumas soluções. A ópera renunciou uma parte do terreno conquistado, a forte expressão dramática, convencionalmente elaborada por peças vocais brilhantes. É o tipo de ópera de Alessandro Scarlatti, e Handel, no qual, começa a prevalecer a ornamentação, ao gosto do Rococó, ofertando grande influência na música barroca. No entanto, já pertencendo a primeira metade do século XVIII. Deve-se a ópera e, aos operistas, o aperfeiçoamento da suíte, no tempo de Lully, a acumulação de danças estilizadas, agora no tempo de Coupering e Bach. Também foi transplantado para música instrumental, o esquema da ária operística, qual seja, esquema ABA: A (os tutti e a orquestra); B (a exibição do solista) e por fim, A, novamente, referindo-se ao tutti. Esse esquema, com espírito matemático, analiticamente desenvolvido pela, distribuição do tema entre várias vozes e, pelas suas modificações, são as formas da fuga e da variação que nasceram no órgão. Com ela, volta a polifonia para a música instrumental e, para canto em coro e a mistura de coros com árias, conforme o esquema “ABA”, atribuindo assim, os dois novos gêneros da música barroca, desenvolvida para solistas, coro, orquestra e o oratório. Nenhuma resistência conseguiu impedir a vitória da homofonia, na ópera, na música sacra e, na instrumental. Na música instrumental, as possibilidade do uso simultâneo e a presença de instrumento de tecla, como o baixo contínuo, contribui para reconduzir as novas honras da polifonia. A mais simples das novas formas é, a sonata. Para violino, (eventualmente utilizada para violoncelo), com acompanhamento de baixo continuo cifrado. É cabível rememorar que, essas sonatas são simples “evoluções” sobre um tema, aparentando o rondó moderno. A trios sonatas, é a mais arcaica, na qual, outro instrumento de corda (o violoncelo de preferência) apoia o solista. Desse modo, aparece só um passo para um concerto. Um solista (o violino, mais também pode ser um instrumento de sopro), acompanhado pela orquestra de câmara, pois, nesta época toda música instrumental é camerística. O gênero típico da música instrumental barroca é, o concerto grosso, no qual, dois, três, ou mais solistas alternam com a orquestra de câmara (tutti). Em Cremona, no século XVII, os Estradivários, Amate Guarniéri, transformaram o violino em um instrumento nobre. O primeiro grande violinista foi, Arcangelo-Corelli (1653-1713). Tomasso Albinone (1674-1745), mestre do “arioso” nas sonatas, é introdutor do oboé, no concerto grosso. Antonio Vivaldi (1678-1741), embora sacerdote, dá o passo definitivo para a música instrumental profana, enveredando por um caminho que levará diretamente á arte de Bach. Entre suas obras impressas destacam-se primeiro, os 12 concertos grosso, reunidos como Estro harmônico, publicado em Amsterdã em 1972, (Bach transcreveu, metade desses concerto para cravo e órgão). Na última coleção encontra-se os quatro concerto grosso, dedicados as quatro estações do ano, quais sejam: primavera, verão, outono e inverno. Embora Vivaldi fosse, principalmente, um compositor instrumental, também compôs, obras para coral. Tais como: o Orátório, (Juditha triunfans), o Magnificat, Stabat, Pastoral Ninfa e Pastore. Duas grandes características da arte de Vivaldi determinam, o desenvolvimento posterior da música instrumental, (especialmente da violinística), a expressividade fantástica e a virtuosidade. Johann Sebastian BACH (1685-1750), foi famoso como o maior organista do seu tempo e, excelente virtuose no cravo e no violino. Ademais, tinha fama de cumprir pontualmente suas obrigações de Kantor, escrevendo as grandes quantidades de músicas sacra que o culto luterano, conforme o uso da época, requeria. Como nenhum outro filho espiritual de Lutero, soube Bach, “sincronizar” os dois mundos. A harmonia perfeita entre os dois, afigurava-se lhe garantida pelas regras do contraponto, que são as mesmas da terra e do céu. A vida aqui embaixo e ali em cima constituem, sem interrupção, uma fuga perfeita. A lei da existência física e espiritual de Bach é a polifonia. Bach escreveu durante anos, semanalmente uma cantata. Calcula-se que deve ter sido ao todo 295 (duzentos e noventa e cinco), das quais, grande parte se perdeu em decorrência da devassidão de Wilhelm Friedemann, seu filho mais velho e, herdeiro dos seus papéis. Só subsistem 198 (cento e noventa e oito), cantatas sacras de Bach. As cantatas são para quatro ou três solistas e coro. Enquanto, os coros, servem como fundamento polifônico, os recitativos e as árias, são escritos no estilo da ópera italiana. Do tipo da ópera de Alessandro Scarlatti, embora a invenção melódica sempre seja alemã. Para a chamada sinfonia, que serve de abertura e, para o acompanhamento instrumental das peças vocais, Bach emprega uma orquestra de câmara, com preferência marcada por certos instrumentos de sopro, como a flauta e o oboé, pelo coro dos violinos completados por violas d’amore, e outros instrumentos que pouco tempo depois de Bach já serão arcaicos. Como baixo-contínuo, serve para os coros, o órgão. E para os solistas, o cravo. O final da cantata é sempre o coral luterano, que forneceu a base do libreto, harmonizado e cantado, a uma voz, pelo coro. O Espírito de pesquisa não tem limites. Logo depois do “Cravo Bem Temperado”, escreveu “Fantasia e Fuga” cromática (1723). Outras obras pianísticas de Bach, lembram o fato de que o compositor, anacrônico em seu tempo, como musico gótico e barroco, também é homem da época e estilo Rococó. A “interpretação matemática” da arte de Bach é certamente unilatera








      Algumas obras de compositores do século XVII:  _ Cláudio MONTEVERDI ( 1567- 1643) Òpera l’ Orfeu , L’ Arianna  _ François COUPERING (1668-1733) leçons de Ténebris ,Les Barricades mystérieuses.  _ Alessandro SCARLATTI ( 1659- 1725) Griselda ópera em três atos, a última das suas óperas a sobreviver .Stabat Mater , (1723)foi composto pela ordem dos Cavllieri dellaVirgine dei Doloreem Nápoles,que anualmente homenageia a Virgem dedicando a ela, durante a quaresma um Stabat Mater. Artistas: soprano , alto e contínuo ( dois violinos , violoncelo , órgão).  _ Antonio lúcio VIVALDI (1678-1741) As quatro estações, é uma série de quatro concertos para violino e orquestra, ele consegue nessa obra , imitar perfeitamente canto dos pássaros , a tempestade e o trote dos cavalos. Mandolin concerto, em Dó maior, RV 425, foi escrito em 1725 . A música consiste no tratamento virtuosista do instrumento solo, do bamdolim e da interação do solista com a orquestra.  _ Georg Friedrich HANDEL ( 1685-1759) Música aquática, é uma coleção de movimentos orquestrais ,frequentemente divididos em três suítes. Foi composta para amenizar os passeios de rei Jorge I e sua família pelo rio Tâmisa no dia 22de agosto 1715, na ocasião 50 músicos tocam em um embarcação enquanto o rei e sua família ouvia em outra embarcação. O Messias, é um oratório com 51 movimentos divididos em três partes, é a obra mais popular de Handel e talvez o maior sucesso em geral. 




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